quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Apresentação do livro na Metodista

No dia 7 de março estaremos na Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo - São Bernardo do Campo/SP, discutindo sobre Cristologia a partir do livro CRISTOLOGIA PROTESTANTE NA AMÉRICA LATINA, lançado pela Arte Editorial (No Tweeter @ArteEditorial). além do autor, o debate terá a participação dos alunos de Teologia da UMESP e a mediação do Prof. Dr. Claudio de Oliveira Ribeiro, prefaciador do texto.

Espiritualidade para o Século XXI, obra da qual sou coautor.

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domingo, 12 de fevereiro de 2012

O Tempo

Deus me pede estrita conta do meu tempo,
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta:
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta,
Eu que gastei, sem conta, tanto tempo?
Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta,
Hoje quero acertar conta e não há tempo.
Oh, vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo;
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta.
Pois aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo.

Frei Antonio das Chagas, Século 19.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Enjoo

Algumas experiências recentes têm frutificado em mim. Uma delas ocorreu ano passado num evento e deu ocasião a escrever o post A intolerância dos "tolerantes". Logo depois outra. Observei um amigo que investiu longos meses pesquisando e escrevendo um volumoso livro no qual condena alguns aspectos de determinada igreja. Mais que isso, ele chegou a pagar alta quantia em dinheiro pela impressão de milhares de livros, apenas para apontar o que ele entende ser herético naquela denominação. Não houvesse nada publicado sobre o tema, ainda vá lá; mas há muito material. É chover no molhado, imagino.

Mas a gota d'água que provocou em mim enjoo veio depois. Um "crente" – como crente até o Diabo é – recém chegado de uma viagem internacional que o levou a participar por uma semana de um congresso "abençoado" (suas palavras), já em seu primeiro dia no Brasil passou a tarde e a noite inteiras pixando a imagem de outro pastor através do seu blog e do Tweeter. Como pode alguém ficar uma semana mergulhado em cultos, mensagens, louvores e, logo em seguida, sair malhando alguém, ainda que não fosse cristão?

No último ano segui essa pessoa no microblog e notei como ela gasta tempo promovendo a própria imagem (e seu próprio blog) às custas de uma perseguição mesquinha àquele pastor e a uns outros que não pensam como ele. Trocando em miúdos, o negócio é falar mal, não importa de quem. É isso o que traz seguidores. Fale mal do Malafaia, e ganhe seguidores. Fale mal do Gondim e ganhe seguidores. Fale mal do Caio Fabio, e ganhe seguidores.

Essa cultura de que trata-se de “apologia”, “defesa da doutrina”, “volta à Bíblia”, é pura hipocrisia, lenga-lenga que serve de disfarce a pastor assalariado que não produz a salvação de uma alma sequer, e justifica o seu salário produzindo textos piegas, pobre, difamatório e teologicamente míope. Deviam ir procurar emprego, ir trabalhar como gente grande, em vez de posarem de pastores – que não são. Ouça certos programas de rádio e irá ouvir uma porção de vozes vinda dessa ala da Igreja. Claro que há apologistas sérios no Brasil, eu sei. Mas o infeliz desdobramento da apologia séria e comprometida tem fecundado nos ignorantes esse câncer, essa deformação no corpo cristão.

Enjoei. Enjoei muito. E confesso meu arrependimento se nalgum momento eu mesmo fiz isso ou promovi esse tipo de “cristianismo metido a macho” e desumano. “Metido a macho” porque quem o alimenta tem a alma intolerante, egoísta e ignorante, como os machos que se reúnem em botequins de esquina para discutir futebol, falar de mulher e contar vantagens sobre suas proezas domésticas, do tipo “quem manda lá em casa sou eu”. Enjoei de sites tipo “imprensa marrom” ou “tablóide britânico” travestidos de sites apologéticos. Repito: não são todos, há uma meia dúzia de gente séria, capacitada, produzindo bons textos nesta área.

Enjoei desse tipo de “cristianismo”, que percebo ser um arremedo da verdadeira religião, como concorda Tiago (Tg 1.26). É um falso cristianismo, ou melhor, um anticristianismo, inspirado pelo anticristo. Se isso é o que a Igreja produz “de melhor” estamos bem encrencados! Oxalá não seja. Tenho sinceras dúvidas se Jesus se daria o trabalho de morrer para que esses nojentos coronéis pudessem se sentar diante de seus teclados e passar o dia todo disparando frases com 140 caracteres contra tudo e contra todos. Será mesmo?

Teria sido mesmo necessário morrer para que nós criássemos uma apologética da destruição e da difamação, ávida e ligeira ao apontar o dedo contra quem pensa diferente, mas profundamente lenta e incapaz de mover uma palha em favor d’uma causa maior, mais nobre?

Enjoei mesmo. Enjoei desse movimento que se diz “apologético”. Não a apologia histórica, com raízes profundas, históricas e bíblicas. Enjoei dessa ala da Igreja que por incompetência de promover um diálogo de alto nível com o pensamento secular, onde as razões da esperança sejam discutidas, satisfaz-se voltando suas armas e sua pequenez para dentro da própria igreja, forçando para fazer cair aqueles que estão olhando para o alto, “tateando um caminho mais excelente”. Sinto que falta a essa turma um pouco mais da graça de Deus e menos do tribunal do Diabo. Esses não sabem nem o que fazem, pois na origem a apologia era a defesa da fé contra os ataques de fora. Muitos desses que se nomeiam “apologetas” são paroleiros e pseudo-escritores desatualizados, ultrapassados e com vocabulário bastante limitado para se enveredar na literatura. Perderam o bonde da história; não perceberam, ainda, que o inimigo é outro. Ele está lá fora, não aqui dentro.

Só para citar dois exemplos, o Islamismo tem investido 13 bilhões de dólares anualmente nas universidades dos Estados Unidos com o intuito de promover sua fé débil naquele país. O mesmo tem sido feito em relação a outras regiões do planeta. Cadê esses apologetas que nada falam sobre isso? Onde estão essas “maria-fofoqueiras”? Onde estão os defensores da sã doutrina? O movimento ateu, na Inglaterra e nos mesmos Estados Unidos, tem se fortalecido com o fim de realizar campanhas de difamação e promover o descrédito contra a Igreja. Cadê os ávidos escritores apologetas que nada falam sobre isso? Onde estão os “Nelson Rubens gospel” que não se posicionam frente a esses movimentos? Eles têm alertado a Igreja sobre o islamismo que já tem fortes bases no Brasil, no Paraná e em São Paulo? Estou seguro que não. Estão ocupados patrulhando a vida de pastores que estão trabalhando. Isso tem dado enjoo em mim.

Se eu puder aconselhar a você, leitor, minha palavra é essa: cuidado para não enjoar também. Fuja dessa gente; não vale a pena segui-los. De minha parte, prometo que farei o que puder para minar esse comportamento diabólico em nosso arraial. Não quero discutir a vida de irmãos, fortes ou fracos na fé. Discutir ideias e abordagens teológicas sim, sempre, com o intuito de aprender e crescer. Mas prometo não alimentar essa rede de difamação que se instalou na igreja brasileira, esse joio formado por gente inútil que nega a mesma fé que dizem professar. Quero combater esse falso cristianismo hipócrita, raso, que dispara fogo amigo e se promove denegrindo aquele por quem Jesus morreu (Rm 5.6; 14,15; 1Co 8.11). Fora com isso do meu caminho, pois esse tipo de fé me enjoa.

Você pergunta se eu não sou hipócrita também? Devo ser sim, mas arrependido.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Crucificação às avessas

“Crucifica-o! Crucifica-o!” Assim gritavam os judeus para que Pôncio Pilatos acelerasse o processo contra Jesus. Os judeus imaginaram ser Jesus uma ameaça religiosa e política. Tanto que ameaçaram levar um caso religioso a Roma política. “Se deixares esse homem livre, não és amigo de César” (Jo 19.12).

A popularidade de Jesus representava ameaça para a liderança do templo. Era preciso eliminá-lo e o meio era a cruz. Jesus atrapalhava – cruz para ele.

O que parecia uma crueldade (e de fato foi) trouxe a reboque salvação para o mundo. A crucificação colocou um ponto final ao drama da religião: que fazer para aproximar o homem do seu Deus? Jesus crucificado é o caminho.

A cruz foi transformada em trono para quem crê. Nela nos alegramos, porque se constitui a resposta de Deus para quem reclama ajuda do céu. A cruz foi transformada em tema de canções e livros, pauta para pregação, objeto de estudo e pesquisa. Ah, a cruz. “Virou” pingente de ouro, foi estampada na camiseta, colada como adesivo nos carros, talhada em madeira, gesso, prata, ouro, pedra. Arquitetada, ocupa praças e saguões de locais públicos. Houve a exaltação da cruz pelos pecadores carentes da salvação.

Mas – sempre há um “mas”, o tempo passou, alguém não percebeu essas manifestações e representações todas, nem ao menos o seu significado, e a cruz saiu da lista dos objetos de desejo e importância dos cristãos. A fusão dos desejos humanos mal resolvidos com o sentimento religioso natural da raça criou o ambiente para uma nova religião que escora-se no cristianismo, mas sem a cruz.

Os teólogos da nova religião nada sabem da cruz. A cruz atrapalha. De Bíblia são analfabetos, não lêem o relato da paixão de Cristo na cruz. Ou se lêem são sarcásticos, tanto ou mais que os judeus que gritavam “Crucifica-o! Crucifica-o!”. Porque remover a cruz da religião cristã é condenar Jesus novamente à morte, é mandar Jesus de volta para Pilatos. Um cristianismo sem cruz é uma farsa, um arremedo.

Crer que Jesus morreu para dar vida boa a nós, marmanjos, é como dizer: “Morra, Jesus, para que eu prospere”. Crer que Jesus morreu para dar vida boa a nós equivale a apoiar a escravidão de latinos pela indústria da moda no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. É promover a desgraça de uns para o enriquecimento e embelezamento de outros. Enquanto uns são escravizados, outros desfilam seu glamour. Faz sentido isso? Claro que não. O cristianismo sem cruz é a mesma coisa: sem sentido.

Crer que Jesus morreu para dar vida boa a nós é como dizer: “Morra, Jesus, para que eu more bem”, “Morra, Jesus, para que eu troque de carro”, “Morra, Jesus, para que eu tenha melhor salário”.

Dizer-se cristão ou evangélico quem nada sabe da cruz e sua razão é crucificar tudo o que Jesus fez, é desmerecer o seu trabalho, o seu sofrimento e sua morte. Porque tudo o que excede o propósito estabelecido por ele, nega que ele tenha feito a coisa certa. Se acrescentar algo ao que Jesus fez, estarei dizendo que ele foi incompleto, insuficiente, e precisa de mim para completar a medida. Faço-me mediador, co-autor da salvação, ou... corretor de valores no balcão da igreja.

Siga-me no Tweeter: @magnopaganelli

Após dia 13 de março esses livros sairão do catálogo. Aproveite!

A Arte Editorial (http://www.arteeditorial.com.br/) há quatro anos tem uma parceria com a Mundo Cristão, a qual permite a publicação de obras que, antes esgotadas, sejam produzidas no modelo sob demanda (POD).
No próximo dia 13 de março essa parceria deixará de existir por uma decisão da detentora dos direitos autorais.
Assim, a dica é aproveitar enquanto os livros estão disponíveis em formato físico. Depois, só em e-book, segundo informação da própria Mundo Cristão.
A relação de títulos abaixo está sujeita à confirmação de disponibilidade.
Clique na imagem para ampliar. Envie os pedidos para editora@arteeditorial.com.br e um email informará dados para pagamento por depósito bancário ou cartão de crédito.
Todos os livros consultados neste blog e adquiridos terão desconto de 25%. Frete não incluído. Boas compras e boas leituras.