segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ainda precisamos de apologistas?


A apologética é a disciplina que trata da defesa da fé e, consequentemente a apologética cristã defende a fé cristã. Não temos espaço aqui para relacionar a história do Cristianismo, mas houve dois períodos áureos da apologética cristã. Durante os primeiros séculos da Igreja, autores apologistas prestaram um grande serviço à fé cristã, defendendo-a dos ataques de grupos heréticos e filosóficos (ataques de dentro e de fora). Séculos depois, notadamente no século 20, durante a modernidade, que atacava as bases e os pilares da fé cristã, grandes nomes surgiram para manter a fé em alta e dar a resposta adequada aos inimigos do Cristianismo.


Mas não vivemos mais nesses períodos, antes, vivemos no tempo que alguns chamam pós ou hiper-modernidade. É sabido que uma das marcas da atual geração é o individualismo ou tribalismo (ou, ainda, comunidade). Cada tribo ou comunidade reúne-se em torno da sua própria verdade ou daquilo que crê ser a verdade que faça sentido para aquele grupo. Soma-se a isso a ética de aldeia global que preza pela convivência pacífica; ninguém tem o direito de incomodar a outro para, assim, haver convivência pacifica.

Dessa forma, o que um grupo acredita ser verdade pode ser diametralmente oposto ao que outro grupo acredita e, mesmo assim, ambos os grupos conviverem e relacionarem-se civilizadamente. Neste novo mundo está em baixa a crítica, a censura e outros mecanismos de exclusão, embora haja uma resistência à moral e à verdade como conceitos absolutos. Se não há absolutos, a moral e a verdade cristãs não fazem sentido como moral absoluta e verdade absoluta, dizem.

Assim, não seria preciso afirmar que existe um ataque a esses conceitos, mas sim resistência a eles. Alguém citaria “Richard Dawkins e sua turma”, mas ele é uma gota no oceano e o que faz é mais propaganda política e querer chamar a atenção do que outra coisa. Ele é desacreditado por seus próprios pares! Então, quer dizer que não precisamos mais de apologistas, já que não há ataques à fé cristã? É quase isso. A apologia deverá ser repensada daqui para frente.

Temos visto muitos cristãos atacando a outros, por meio de livros, pregações, blogs, websites etc. Eles perderam o destinatário de suas peças apologéticas, mas não perderam a vontade de atacar; praticamente ficaram desempregados de suas funções. E continuam os cristãos atacando-se mutuamente e deixando os não cristãos da mesma forma – senão escandalizados com tanta roupa suja lavada em público! “Ah”, diria alguém, “mas estamos apontando a heresia em determinado grupo ‘que se diz cristão’.” No entanto, nós cristãos fomos chamados para ir pregar o evangelho e cuidar daqueles que são trazidos para a igreja, nutri-los. A cura de um doente não vem por meio de uma surra, simplesmente porque o doente apanhou o vírus. Doentes são curados quando são expostos ao remédio, não ao isolamento.

É preciso repensar a apologética para o século 21. Não há ataques frontais ao Cristianismo como no século passado. Há ataques velados, sim, concordo. Mas a verdade central da fé cristã não tem sido atacada do mesmo modo. As pessoas saíram do século 20 pensando diferente, desapontadas com as expectativas não cumpridas pela modernidade (duas Grandes Guerras, fome, violência urbana etc.). É hora de fazer a defesa da fé com a boca fechada e com o exemplo de vida que reflita a nossa comunhão com o Criador. A influência dos relacionamentos, de pessoas que sirvam como modelo, mentores e amigos que moldem o pensamento de outros para melhor, mais do que uma lógica objetiva. Jesus se comunicava por meio de parábolas, não por meio de tratados abstratos.

Um comentário:

  1. Deus não precisa de defensores da sua santidade, mas de testemunhas do seu amor

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